ServiceNow em 2026: US$ 1 bilhão em contratos de IA e a disputa para virar a camada de controle das empresas

Nos primeiros anos da inteligência artificial generativa, empresas correram para testar copilotos. Em 2026, a conversa empresarial está migrando para outra pergunta: como coordenar dezenas ou centenas de agentes que executam tarefas em sistemas diferentes sem perder segurança, governança e visibilidade? A ServiceNow quer ocupar exatamente esse espaço.
No segundo trimestre de 2026, a ServiceNow reportou US$ 3,987 bilhões em receita total, crescimento de 24% ano contra ano. Receita de assinaturas alcançou US$ 3,877 bilhões, alta de 24,5%.
O current remaining performance obligations chegou a US$ 13,2 bilhões e o RPO total a US$ 29 bilhões. A companhia também informou que seus produtos de IA ultrapassaram US$ 1 bilhão em annual contract value.
Segundo a empresa, implementações agênticas cresceram nove vezes em nove meses. O trimestre teve 123 transações acima de US$ 1 milhão em novo ACV, quase 40% acima do ano anterior.
Na conferência Knowledge 2026, a companhia apresentou o AI Control Tower como uma camada para governar, implantar e escalar IA. Também lançou Otto, experiência unificada que combina capacidades de diferentes produtos e aquisições.
Esses movimentos mostram uma mudança de narrativa: ServiceNow não quer vender apenas workflows; quer ser a infraestrutura de coordenação do trabalho entre pessoas, dados, sistemas e agentes.
US$ 3,99 bireceita total no Q2 2026
US$ 1 bi+ACV anual de produtos de IA
US$ 29 biremaining performance obligations
O mercado saiu de 'ter IA' para 'governar IA'
Quando poucas equipes usam um chatbot, governança parece simples. Quando agentes passam a acessar sistemas, executar ações e interagir com dados sensíveis, a complexidade aumenta rapidamente.
Empresas precisam saber qual agente possui acesso a quê, quem aprovou uma ação, quais dados foram utilizados e qual resultado foi produzido.
Isso cria uma nova categoria de problema. Não basta construir agentes; é preciso coordená-los.
A ServiceNow posiciona o AI Control Tower como resposta a essa necessidade.
Construção editorial • Lucas Costa
Automação em escala cria um problema de gestão, não apenas de tecnologia
Quanto mais tarefas uma empresa automatiza, maior a necessidade de observar o sistema inteiro. Performance deixa de ser medir se um bot respondeu rápido e passa a ser entender impacto em custo, conversão, risco e experiência.
A empresa está tentando subir uma camada na arquitetura do cliente
Software B2B ganha poder quando deixa de resolver uma tarefa específica e passa a coordenar várias áreas.
ServiceNow já possui histórico em workflows de TI, serviço, RH, segurança e operações. A estratégia de IA tenta usar essa posição para se tornar a camada de orquestração.
Essa mudança aumenta potencial de receita e também custo de substituição.
Para concorrentes, o desafio é que a plataforma passa a ocupar um ponto central da empresa.
Construção editorial • Linda Kimberly
Reposicionamento B2B precisa ser compreendido fora da equipe técnica
'AI control tower' é uma expressão poderosa, mas só funciona comercialmente se executivos entenderem o benefício. Boa comunicação B2B transforma arquitetura em impacto: menos risco, mais produtividade, melhor governança e maior retorno dos investimentos em IA.
Uma única interface reduz fragmentação percebida
Otto combina inteligência de diferentes produtos em uma experiência única.
Essa decisão responde a um problema comum em empresas que compram muitas ferramentas: o usuário não quer aprender dezenas de interfaces.
Consolidação de experiência pode aumentar adoção porque esconde parte da complexidade técnica.
Para qualquer empresa digital, existe uma lição: arquitetura interna pode ser complexa; a experiência externa não deveria exigir que o cliente compreenda essa complexidade.
US$ 1 bilhão em ACV mostra que IA está saindo do piloto
A marca de US$ 1 bilhão em annual contract value para IA sugere que grandes empresas estão começando a contratar essas capacidades de maneira mais relevante.
Isso não significa que todos os projetos produzem ROI comprovado. A própria narrativa da ServiceNow reconhece que muitas empresas ainda procuram retorno.
O mercado entra agora em uma fase em que demonstrações impressionantes precisam ser convertidas em economia real.
Essa mudança tende a favorecer fornecedores capazes de ligar IA a processos já mensurados.
Agentes precisam de uma base confiável de contexto
A ServiceNow destaca CMDB, workflows e dados empresariais como fundação para IA.
Um agente sem contexto pode responder, mas não necessariamente executar corretamente.
Dados desorganizados, permissões mal definidas e processos ambíguos limitam a automação.
Por isso, muitas transformações de IA acabam revelando problemas antigos de governança de informação.
Grandes contratos exigem venda consultiva e prova
123 transações acima de US$ 1 milhão em novo ACV no trimestre mostram uma operação comercial complexa.
Esse tipo de venda depende de múltiplos decisores, segurança, integração, jurídico, business case e parceiros.
Marketing B2B não pode ser medido apenas por lead. Conteúdo, eventos, casos, produto, account-based marketing e equipe comercial trabalham juntos ao longo de meses.
Atribuição precisa reconhecer essa complexidade.
Uma marca técnica também pode possuir um ponto de vista
ServiceNow usa uma narrativa consistente de 'fazer o mundo funcionar melhor' e, agora, de ser uma plataforma para reinvenção empresarial com IA.
Essa narrativa ajuda a transformar software técnico em visão de negócio.
Marcas B2B frequentemente deixam todo o discurso nas mãos de funcionalidades. O problema é que funcionalidades podem ser copiadas.
Um ponto de vista sobre como o trabalho deveria funcionar cria uma camada adicional de diferenciação.
O que empresas podem aprender com a ServiceNow
Primeiro: novas tecnologias criam necessidades de governança. Segundo: subir uma camada na cadeia de valor aumenta relevância. Terceiro: experiência deve esconder complexidade técnica.
Quarto: IA precisa estar conectada a processos mensuráveis. Quinto: marketing B2B deve acompanhar jornadas longas e vários decisores.
Sexto: uma empresa técnica também precisa de narrativa própria. Conhecimento sem tradução dificulta venda.
A próxima vantagem empresarial pode não estar em possuir mais agentes de IA, mas em saber quais agentes podem agir, com quais dados e para produzir qual resultado.
O ponto que a NewTrend observa
A ServiceNow em 2026 representa uma nova fase da corrida por IA corporativa. A disputa deixa de ser apenas pelo melhor assistente e passa a envolver coordenação, segurança, processos e retorno.
Essa mudança favorece empresas que já estão próximas dos fluxos de trabalho e dados empresariais.
Para organizações menores, a escala é outra, mas o princípio permanece: antes de adicionar automação, é preciso entender processo, responsabilidade, dado e métrica. Sem isso, a IA apenas acelera a confusão.
Fontes e referências
ServiceNow — Q2 2026 Results — receita, ACV de IA, RPO, grandes contratos e AI Control Tower
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Linda Kimberly
Autora & Especialista
Mente analítica por trás do crescimento exponencial. Desenha funis de vendas e posicionamento de marca que convertem atenção em receita recorrente, orquestrando cada etapa da jornada do cliente.
Estratégia que conecta marca, performance e tecnologia.
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