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Nubank em 2026: 139 milhões de clientes, IA proprietária e o desafio de crescer sem perder confiança

PorLinda Kimberly
Nubank em 2026: 139 milhões de clientes, IA proprietária e o desafio de crescer sem perder confiança

O Nubank construiu sua reputação enfrentando um problema que milhões de brasileiros reconheciam: bancos eram percebidos como caros, burocráticos e distantes. A marca transformou simplicidade, aplicativo e atendimento em posicionamento. Em 2026, o desafio mudou. O problema já não é provar que um banco digital funciona; é crescer em profundidade, geografias e rentabilidade sem destruir a confiança que permitiu chegar até aqui.

Em agosto de 2026, o Nu divulgou que encerrou o segundo trimestre com 139 milhões de clientes globalmente. Quase 118 milhões estavam no Brasil, 15,8 milhões no México e mais de 5 milhões na Colômbia.

A receita bruta trimestral chegou perto de US$ 5,9 bilhões, alta de 39% em base neutra de câmbio. O lucro líquido alcançou US$ 1,1 bilhão, primeira vez em que a empresa ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão em um trimestre, com ROE de 33%.

A taxa de atividade mensal foi de 83,5% globalmente e superou 86% no Brasil. A receita média mensal por cliente ativo ficou próxima de US$ 17.

A empresa também passou a destacar o NuFormer, modelo proprietário voltado a comportamento financeiro, usado em decisões de crédito, atendimento e crescimento. Ao mesmo tempo, amplia crédito e produtos de maior valor, inclusive com a proposta Croma para clientes Super Core.

Esse conjunto transforma o Nubank em um caso muito mais complexo do que 'banco roxinho que cresceu com experiência'.

139 milhõesclientes globais no Q2 2026
US$ 1,1 bilucro líquido trimestral
83,5%taxa de atividade mensal global

A simplicidade que construiu a marca também criou expectativa

O Nubank entrou em um mercado repleto de atritos visíveis: tarifas, filas, processos lentos, linguagem complexa e experiências digitais inferiores ao que consumidores já encontravam em outras categorias.

A resposta da marca foi tão poderosa porque produto e comunicação falavam a mesma língua. Cartão roxo, aplicativo simples, atendimento humano e ausência de tarifas em momentos-chave produziram uma percepção coerente.

Com o tempo, essa simplicidade deixou de ser diferencial isolado e virou padrão esperado. Concorrentes tradicionais melhoraram aplicativos, reduziram fricção e lançaram produtos digitais.

Isso significa que o Nu precisa continuar inovando sem perder aquilo que tornou a experiência reconhecível.

Construção editorial • Linda Kimberly

Quando um diferencial vira padrão da categoria, a marca precisa encontrar sua próxima camada

Ser simples já não pertence apenas ao Nubank. A marca construiu esse território, mas o mercado aprendeu. O próximo desafio é transformar confiança, inteligência financeira e profundidade de relacionamento em uma nova razão para permanecer.

139 milhões de clientes não significam o mesmo que 139 milhões de relacionamentos profundos

Número de clientes é impressionante, mas o indicador mais interessante é atividade. Uma base enorme com baixo uso não produz o mesmo valor de uma base que concentra pagamentos, crédito, investimentos e rotina financeira.

A taxa de atividade acima de 83% mostra que o Nu está conseguindo manter uma parcela grande dos clientes utilizando produtos mensalmente.

Isso altera a pergunta de crescimento. Depois de conquistar uma pessoa, a empresa quer se tornar sua principal relação financeira.

É uma mudança de aquisição para share of wallet.

Construção editorial • Lucas Costa

Escala de aquisição não substitui profundidade de jornada

Empresas comemoram cadastro, download e lead, mas valor econômico costuma vir depois. O Nubank ilustra bem essa diferença: o objetivo não é apenas abrir conta, mas aumentar atividade, número de produtos e receita por cliente sem elevar fricção.

NuFormer tenta transformar comportamento em vantagem proprietária

Modelos de IA podem ser comprados de fornecedores. O diferencial do NuFormer está na tentativa de trabalhar sobre uma base comportamental específica da empresa.

Crédito, fraude, atendimento e recomendação dependem de contexto. Quanto mais relacionamento uma instituição possui, mais sinais pode utilizar — dentro das regras e permissões aplicáveis — para melhorar decisão.

Isso cria uma vantagem potencial difícil de replicar apenas com interface.

Mas inteligência financeira também aumenta responsabilidade. Modelos que ampliam crédito precisam ser avaliados não apenas por conversão e receita, mas por risco, inadimplência e impacto sobre o consumidor.

Crédito é crescimento e também teste de confiança

A carteira total de crédito chegou a US$ 39,4 bilhões no trimestre, alta de 37% ano contra ano. O mix inclui cartões, empréstimos sem garantia e crédito com garantia.

A empresa também informou aumento do NPL acima de 90 dias para 6,9%, atribuído principalmente à migração sazonal de atrasos anteriores.

Em setembro, uma reportagem da Reuters trouxe relatos e críticas sobre expansão de crédito digital no Brasil, incluindo casos ligados ao Nubank e outras fintechs. A empresa e o setor operam em um ambiente de maior atenção pública sobre endividamento.

Isso torna a gestão de crédito também uma questão de marca. Uma instituição financeira precisa equilibrar acesso, rentabilidade e responsabilidade.

México é um teste de repetibilidade da tese

No México, o Nu chegou a 15,8 milhões de clientes ao fim do trimestre e alcançou 16 milhões em julho. A empresa também avançou em sua transformação para banco no país.

Expandir internacionalmente não significa copiar exatamente a estratégia brasileira. Regulação, hábitos, concorrência, bancarização e comportamento de crédito mudam.

O que precisa ser repetido é a tese central: reduzir fricção e oferecer uma experiência percebida como melhor do que a alternativa local.

Marcas internacionais fortes aprendem a separar identidade de execução.

Croma mostra que a marca quer subir na pirâmide sem abandonar a base

O lançamento de uma proposta para clientes Super Core sinaliza interesse em capturar públicos com maior renda, ativos e necessidades financeiras complexas.

Isso cria um desafio de arquitetura de marca. Como oferecer uma experiência mais sofisticada sem produzir a sensação de que o cliente original se tornou menos importante?

Marcas democráticas costumam sofrer quando tentam subir de faixa porque códigos premium podem contradizer a promessa inicial.

O caminho precisa acrescentar valor sem parecer abandono da origem.

Tecnologia continua sendo parte central da economia do modelo

O índice de eficiência ficou em 19,5% no trimestre. Mesmo com aumento em relação ao período anterior por despesas e expansão, continua demonstrando uma estrutura diferente da banca física tradicional.

Escala digital permite atender muitos clientes com uma base operacional que não cresce na mesma proporção.

Essa vantagem, porém, pode diminuir à medida que a empresa entra em produtos mais complexos, mercados novos e segmentos que exigem atendimento diferenciado.

Crescimento aumenta complexidade. Tecnologia precisa impedir que complexidade vire burocracia.

O que negócios podem aprender com o Nubank

Primeiro: resolver uma dor reconhecida é uma forma poderosa de posicionamento. Segundo: depois da aquisição, profundidade de relacionamento importa mais que cadastro. Terceiro: dados proprietários podem se tornar vantagem competitiva quando usados com responsabilidade.

Quarto: expandir para novos públicos exige arquitetura de marca. Quinto: confiança é um indicador invisível, mas decisivo em categorias sensíveis.

Por fim, crescimento de performance não deve ser analisado apenas por volume. O valor está em entender atividade, recorrência, margem, risco e percepção ao mesmo tempo.

Aquisição constrói base. Confiança decide quantas outras decisões financeiras o cliente aceita colocar dentro da mesma marca.

O ponto que a NewTrend observa

O Nubank em 2026 entrou em uma fase em que crescimento de usuários já não conta a história inteira. A empresa precisa aprofundar relacionamento, crescer internacionalmente, administrar risco e ampliar produtos sem transformar simplicidade em complexidade.

O NuFormer representa bem essa próxima etapa: uma marca originalmente conhecida por interface passa a investir em inteligência invisível, capaz de influenciar crédito, atendimento e crescimento.

Para empresas digitais, o aprendizado é claro. Experiência conquista a primeira relação. Dados, confiança e qualidade operacional determinam se ela se torna duradoura.

Fontes e referências

  1. Nubank — resultados do 2º trimestre de 2026 — clientes, atividade, receita, lucro, crédito e NuFormer
  2. Reuters — debate sobre crédito em fintechs no Brasil — contexto de endividamento e críticas ao crédito digital
Foto de Linda Kimberly

Linda Kimberly

Autora & Especialista

Mente analítica por trás do crescimento exponencial. Desenha funis de vendas e posicionamento de marca que convertem atenção em receita recorrente, orquestrando cada etapa da jornada do cliente.

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